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ACORD
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No 2 (12 September 2001)

Article 1

ANGOLA: A Primeira Abordagem Estruturada sobre Teatro no Programa.

Guilherme Santos

O Programa Ang 6 trabalha no reforço da capacidade institucional das ONGs locais no Sul de Angola, que têm como finalidade apoiar grupos de pessoas pobres, vulneráveis, com diferentes temáticas como Crianças, Deslocados, SIDA / HIV, Género...., tendo como enfoque a proposta da metodologia participativa, usando diversos instrumentos entre os quais o Teatro, que é muito comum na cultura dos angolanos em diferentes espaços sociais, religiosos, etc.

Todavia, quer a equipa quer os parceiros não tinham o aporte teórico e conceptual do uso do teatro no desenvolvimento.

Em 1998, uma abordagem com o Secretariado sobre a possibilidade de parceria visando pesquisar e desenvolver esta metodologia, na perspectiva prática e académica, abriu espaço, expectativa e interesse da equipa e dos parceiros, para uma oportunidade de aprofundar este tema de Teatro para o Desenvolvimento.

A metodologia usada para abordar este assunto, quer com a equipa como com os parceiros, durante a visita da Judy, que facilitou este processo, baseou-se na consulta inicial entre o Secretariado e o terreno para conciliar interesses e necessidades, com vista a tomada duma decisão política, no sentido de avançar com a abordagem, mormente no concernente a(o):

  • Envio de informações dos Programas ao Secretariado sobre este assunto, ou seja, a compreensão existente nas equipas, o que fazem, como fazem, quando fazem, com quem fazem e para quem fazem;

  • Definição dos termos de referência com a Judy e consulta sobre datas apropriadas;

  • Envio de material conceptual e uma listagem de perguntas para as equipas;

  • Discussões para definir calendários;

  • Definir os critérios dos parceiros e não só, que iriam participar neste processo;

  • Encontros de precação entre as equipas e parceiros;

  • Reflexões entre as equipas e a Judy;

  • Trabalho prático de terreno (com sessões de apresentar o ponto de situação sobre o desenvolvimento do Teatro de cada organização, exibição de peças teatrais de demonstração, debates/percepções/percepções/perguntas/resposta);

  • Restituição e avaliação com as equipas;

  • Responder à lista de perguntas e traçar estratégias de seguimento.

Isto envolveu muitos actores como a PRAZEDOR, uma ONG que trabalha a componente HIV/ SIDA com jovens, usando entre outros o Teatro, os grupos das FAA (Forças Armadas Angolanas) e da Polícia Nacional, que surgiram com o trabalho que ACORD desenvolveu a pedido deles e a participação do Grupo de Teatro Olonguende, que não é parceira directa do Programa mas tem um protagonismo local no uso desta metodologia e mantém relação directa com os parceiros da ACORD.

As principais lições e aprendizagens foram:

  • melhor compreensão das teorias, dos conceitos, das técnicas e das abordagens do Teatro para o Desenvolvimento;

  • O conhecimento das fontes bibliográficas;

  • A necessidade de um treinamento específico;

  • A dimensão pedagógica e do divertimento;

  • A importância de potenciar o uso do Teatro no Desenvolvimento, enquanto um espaço de reflexão conjunta dos actores que exibem a peça e dos participantes, gerando aprendizagem, construindo o novo saber, superando barreiras psicológicas e quebrando estereótipos;

  • A versatilidade e a diversidade que oferece o método;

  • A questão da interpretação das mensagens e o respectivo impacto;

  • As redes de organizações que trabalham com esta metodologia;

  • A força do teatro na sensibilização e educação...etc.

Lubango, Julho de 2001


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